terça-feira, 5 de maio de 2009

Muita iniciativa e pouca “acabativa”


Porque somos tão criativos, inovadores, cheios de idéias e tão ruins em execução? Porque a rotina de cuidar dos detalhes, fazer a manutenção do que já existe, dar continuidade às coisas começadas nos deixa tão entediados?
Sentimos um grande prazer em dar idéias novas e planejar, e um enorme tédio em fazer, cuidar das coisas do hoje, do aqui e do agora. Estamos sempre olhando para o futuro e parece que nos esquecemos de que o amanhã depende do hoje. Com o descaso pelo hoje, nunca construiremos o amanhã e seremos sempre o “país do futuro”.
Achamos que executar é uma coisa subalterna, para pessoas sem inteligência, puros obreiros. O bonito é criar, inovar, propor, discutir. Depois, nada acontece. As coisas simplesmente não são feitas, não têm continuidade, não têm manutenção, não vingam. Faltam pessoas dispostas a cuidar da rotina do manter, do fazer todos os dias com dedicação e perseverança.
Nas empresas, vejo pessoas discutindo planos, projetos e idéias maravilhosas. Mas ninguém atende o cliente que está esperando ao telefone. Ninguém conserta o banheiro quebrado.
Quando as coisas dão errado e o problema se torna insustentável, todos parecem tomar um susto. Comportam-se como se não soubessem que o problema iria ocorrer, mais cedo ou mais tarde. Fingem não saber que as coisas só acontecem, de fato, quando alguém arregaça as mangas e faz acontecer, cuida dos detalhes, enfim, executa.
Minha sugestão é que você, em duas atividades pessoais e empresariais, comece a valorizar as pessoas que executam, que cuidam da manutenção do que existe, que dão atenção aos detalhes, que atendam bem os clientes, que começam e terminam suas tarefas dentro do prazo, ou seja, os que fazem o dia-a-dia acontecer com qualidade. Valorize, enfim, aquelas que, antes de pensar grande, fazem grande, fazem certo, fazem agora. As que, além de criatividade e iniciativa, têm “acabativa”.
Pense nisso. Sucesso!

Prof. Marins (antropólogo)

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